9 de setembro de 2005

Um poema

Ao José Afonso

por vezes um herói também se faz a cantar
no espanto doce e leve de iluminar a cidade
e recordar tempo à vida em acordes de esperança
por vezes ele é a dança
é a razão encantada de uma balada que abala
o torpor em contradança
por vezes ele é sorriso
ironia que desarma o medo de arma em riste
sorriso que faz o triste ser alegre de coragem
é a flauta encantada
é nau de uma outra viagem que traz ao povo a alegria
de cantar em romaria com bandeiras desfraldadas
bandeiras da paz
do pão
e do nome que ele tem
que um povo sem ter nome
pode bem morrer à fome e há-de chamar-se Ninguém

cântico a Catarina
suor e sangue num grito
menina que o medo mata e que o vermelho desata
nas papoilas da campina
lagos de breu no céu
bairro negro do menino com olhos de estrela de alva
deixai-o que é pequenino

Zeca amigo
Está contigo um povo desperdiçado
que se perde em triste fado mas colhe em tua voz abrigo

seja a voz de quem trabalha no som ritmado dos passos
contra vampiros de palha
nascente em vila morena
que entre nós criou os laços de saber quem mais ordena
de saber que vale a pena entrelaçar nossos braços
fazer da vida um poema dourado em Maio maduro
dentro de um coração puro cheio de vida para dar

... que por vezes um herói também se faz a cantar.


Publicado por or-ca em maio 3, 2005 01:21 AM
http://oblogdalibelua2.blogs.sapo.pt/

2 Comments:

José Silva disse...

Que posso eu dizer mais deste poema?
Simplesmente maravilhoso! Venha outro.

Carlos Fortuna disse...

Isto é maravilhoso?
Ó josé Silva isto é ultra piroso.
Onde é a tua escola poética?
Não é a mesma de José Afonso de certezinha absoluta.
Ó meus amigos vejam lá se vão lendo qualquer coisinha mais avançada. Isto é palha. Mais piroso é impossivel.