23 de julho de 2006

Faz hoje dois anos que Carlos Paredes nos deixou

GUITARRA
(Carlos Paredes)

A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua).
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).

Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir.

Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.

Manuel Alegre


Carlos Paredes nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925, filho e neto respectivamente de Artur e Gonçalo Paredes, dois grandes nomes da guitarra portuguesa. A influência familiar leva-o a abarcar o estudo da guitarra portuguesa, como refere o instrumentista: “foi com o meu pai que eu aprendi a tirar da guitarra sons mais violentos, como reacção ao pieguismo langoroso a que geralmente a guitarra portuguesa estava ligada”. Viria a impor um novo estilo na interpretação da guitarra portuguesa, o que o viriam a tornar, senão num símbolo do próprio país, num símbolo deste instrumento. Aos nove anos vai morar para Lisboa. Terminado o Liceu, ingressa no Instituto Superior Técnico, mas não chega a terminar o curso.Em 1957, edita o seu primeiro disco e três anos depois a música é utilizada como banda sonora no filme “Rendas de Metais Preciosos” de Cândido da Costa Pinto.Em 1962 compõe um dos seus mais belos temas, “Verdes Anos”, uma encomenda de Paulo Rocha para o filme com o mesmo nome.Na década de sessenta, compõe para cineastas como Pierre Kast e Jacques Doniol-Valcroze, Jorge Brun do Canto, Manoel de Oliveira, António de Macedo, José Fonseca e Costa, Manuel Guimarães e Augusto Cabrita.Em 1967, edita “Guitarra Portuguesa”, o seu primeiro disco de 33 rotações com Fernando Alvim à viola.Quatro anos depois é a vez de “Movimento Perpétuo”.Entregando-se à revolução de 1974, tocando em diversos pontos do país, só em 1988 volta a editar um disco: “Espelho de Sons”.Trabalhou toda a vida como funcionário do Ministério da Saúde.

3 Comments:

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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