6 de maio de 2009

Duas centenas despediram-se ontem de Dimas Pereira

Cerca de duas centenas de pessoas acompanharam, ontem, Dimas Pereira até à sua última morada. O fundador do Círculo Cultural de Setúbal, e viúvo há três semanas, teve morte súbita. Mestre, amigo e companheiro. Foram considerações muito ouvidas na derradeira despedida. Uma prolongada salva de palmas acompanhou a descida da urna à sepultura.


Familiares, muitos amigos e admiradores, prestaram a última homenagem a Dimas Soares Lopes Pereira, de 87 anos de idade, e viúvo há três semanas. Este vulto cultural teve morte súbita, ao início da tarde de domingo, em casa da filha mais velha. “Tinha almoçado, até estava bem disposto, mas foi encontrado já sem vida, sentado no sofá”, revelou a «O Setubalense» fonte próxima da família.

O corpo esteve ontem em câmara ardente na Capela do Socorro, de onde saiu em cortejo fúnebre, a meio da manhã, rumo ao cemitério de Algeruz. Uma sonora salva de palmas acompanhou a descida da urna à sepultura, com a bandeira de Portugal e uma t’shirt da banda do Andarilho, e muitos, muitos cravos vermelhos.

Em pleno cemitério, o professor Alberto Pereira teceu breves considerações sobre este vulto cultural desaparecido entre os vivos: “Homem de grande construção cívica, sem nunca olhar ao bem material. E fez tudo no Círculo Cultural; foi professor, dirigente, e teve a grande virtude de lidar com os jovens como uma mestria que nunca vi em ninguém.”

De entre as muitas presenças no acto fúnebre, constaram as de Zélia Afonso, Odete Santos, Victor Serra, Francisco Lobo, Valdemar Santos, Luís Filipe Fernandes, José Maria Dias, Graziela Dias, Maria das Dores Meira, Acácio Lopes e Carlos Rodrigues, entre muitos outros.

O acordeão de Dimas Pereira – militante do PCP e resistente anti-fascista, acompanhou José Afonso no single “Viva o poder popular” (1975), à margem do circuito comercial, pela Liga da Unidade e Acção Revolucionário (LUAR) e no LP “Enquanto há força” (1978).

Idaleciano Paulo marcou presença no cortejo fúnebre e é, curiosamente, o elemento vivo do quarteto da segunda versão de “Os Galés”. Ao nosso jornal recordou os desaparecimentos de Rogério Ângelo, Mário Regalado e, agora, de Dimas Pereira.

“Só estou eu, até que Deus queira, de entre os amigos que fundaram a segunda geração do conjunto ‘Os Galés’. Foi em 1975, já em Setúbal, e durou até 1983, depois de extinto o conjunto original em Sesimbra”, explicou Idaleciano Paulo.

Outro testemunho, outra geração. Albano Almeida recorda os tempos em que, muito novo, participava nas actividades culturais do Círculo Cultural, uma grande referência cultural de Setúbal, e que teve Dimas Pereira como fundador, a par de Zeca Afonso e de uma vasta lista de outros nomes.

“Era uma espécie de pai, amigo e mestre. O Dimas Pereira era tudo para mim, e para muitos outros jovens como eu que por ali andavamos naquela que foi, mais do que uma instituição cultural, uma escola de vida,” desabafou a «O Setubalense», o viola Albano Almeida que recorda, já saudosamente, as participações musicais em palco, ao lado do acordeão do mestre, nos grupos “Cantares”, “Detráz da Guarda” e da “Banda do Andarilho”.

Teodoro João

red.teodoro@osetubalense.pt

1 Comment:

Ana Rio disse...

Tio um beijinho de saudade muito grande sei que estas a olhar por todos nós.
Ana Cristina